Polêmica

Sem prazo para o início das obras no Residencial Regente

Caixa inicia processo para contratação de empresa que fará as reformas no bloco C

Carlos Queiroz -

Há quase 600 dias longe de casa, os proprietários dos apartamentos do bloco C do Residencial Regente, no Areal, permanecem sem ter uma resposta concreta, tanto da Caixa Econômica Federal quanto do PAR Inovare, sobre quando poderão retornar. Através de sua assessoria de imprensa, a Caixa informou à reportagem do Diário Popular que o processo para a contratação de um agente executor para as obras necessárias está em andamento.

"O banco esclarece que, mesmo após a desinterdição do prédio, optou por realizar a realocação temporária dos moradores para imóveis disponíveis e pertencentes ao Programa PAR, com o objetivo de realizar estudos sobre as intervenções necessárias para ajustes de obra e demais reparos, os quais só poderiam ocorrer com a desocupação completa do empreendimento. A Caixa esclarece que foi realizada a avaliação técnica sobre a condição do imóvel com indicação da viabilidade de realização de obra. Assim, o banco informa que a contratação do agente executor está em processo, previsto para os próximos 60 dias, considerando eventual prorrogação em razão das restrições impostas pela Covid-19", diz o comunicado da instituição.

Uma das moradoras, a advogada e assistente social Melaine Mazon, 46 anos, espera que o novo prazo seja cumprido, mas tem poucas esperanças de voltar para casa ainda neste ano. "Eles estão nesse processo de licitação já faz algum tempo, desde o ano passado. Acredito que seja um pouco de falta de boa vontade, porque quando se quer que o processo licitatório ande, ele anda. Tomara que saia nesses 60 dias que eles deram, pelo menos fica um prazo que eles colocaram para a imprensa. Porque eu já não conto com isso para esse ano. Mas na verdade a gente quer voltar, estamos longe da escola das crianças, longe de tudo. Os apartamentos que nos deram ficaram na contramão", explicou.

Sobre a notificação que os moradores receberam para, enfim, fazer a escritura do imóvel, o banco afirmou que "com relação à quitação e demais registros escriturários dos imóveis, esclarecemos que a realização da aquisição a termo está descrita no contrato de arrendamento".

No entanto, Melaine afirma que só irá fazer a escritura do apartamento quando ele estiver totalmente liberado. "O bloco realmente está desinterditado, mas isso não quer dizer que tenha condição de moradia. Nós desocupamos o prédio para eles arrumarem, para que no futuro ele não caia em cima das nossas cabeças. Então por enquanto não vamos fazer a escritura. Quando ele estiver em condições de moradia nós vamos escriturar", finalizou.

Relembre
Construído através do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), os apartamentos do Residencial Regente foram entregues aos proprietários no início de 2006, e logo em seguida o bloco C, onde residiam 15 famílias, já começou a apresentar algumas pequenas rachaduras nos corredores. A situação ficou mais séria em 2019, quando uma morada resolveu tomar a frente e acabou fazendo uma denúncia para os Bombeiros, que interditaram o local no dia 6 de agosto.

Um procedimento administrativo no Ministério Público Federal (MPF) deixou a Caixa - agente executora do PAR Inovare - como responsável pelas reformas. A CEF, inclusive, disponibilizou apartamentos temporários para todas as famílias. Desde então, os moradores aguardam pelas reformas para poder voltar para casa.

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